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Novas regras

Foi apelidado por muitos como um dia histórico, por outros como um acordo ruinoso para a classe trabalhadora, mas a realidade é que o acordo de concertação social foi assinado entre o Governo e os parceiros sociais, ficando de fora apenas a CGTP. E muitas críticas foram feitas a João Proença, tendo este sido apelidado de traidor por parte dos sindicatos afetos à CGTP. Contudo, o mesmo defendeu-se dizendo que o acordo foi melhorado em relação ao que estava escrito no memorando de entendimento, que o Governo do PS, liderado por Sócrates e subscrito por PSD e CDS/ PP, ou seja, João Proença revelou que escolheu a opção menos má.

E, muitas vezes, na vida somos levados a ter de optar entre o mau e o menos mau, portanto, penso que este acordo é um reflexo desta situação. Visto que a opção seria permanecer preso a um código de trabalho muito rígido, que serviria como inibidor para os empresários contratarem trabalhadores. E aqui coloca-se a seguinte questão: qual é, afinal, a situação desejável? Claro que seria existirem 30 dias de férias úteis, o salário mínimo ser de €1.000, o salário médio de €1.500, não existirem trabalhadores a recibos verdes, nem contratos a termo certo, pagarmos poucos impostos, termos um serviço público totalmente gratuito e um nível de vida elevado, mas esta é uma visão romântica e utópica da realidade, pois, isto não acontece em parte nenhuma do Mundo.

Em quase 38 anos de democracia, o nosso país melhorou muito em muitos pontos, já que nada se compara às situações que se viviam tanto nos tempos da monarquia, como da ditadura. Todavia, não foram lançados os bons alicerces económicos e, agora, estamos a pagar um preço muito elevado. Mas e soluções?!? Então, como é que se pode criticar um acordo que ainda nem sequer entrou em vigor? Vamos mas é “arregaçar as mangas” e colaborar, porque se, no fim, as coisas não estiverem melhores, então, poderemos “julgar” e “condenar” os culpados. E lembre mo-nos de que criticar antes das medidas serem implementadas é um gesto de má fé!

JOÃO FILIPE
Diretor da Folha de Portugal


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