O Governo português vendeu os 21% de ações que lhe restavam do capital da EDP, tendo esta venda sido feita a uma empresa chinesa, a qual conseguiu superar propostas vindas de outras brasileiras e alemãs, tornando-se assim a maior accionista da EDP. Mas o facto de ser uma empresa chinesa a comprar as ações do Estado não foi a única decisão polémica, tendo levantado muita celeuma e críticas os nomes e os salários dos novos membros do conselho consultivo, já que estes pertencem aos partidos políticos que sustentam a maioria. Todavia, nenhuma destas nomeações teve a indigitação do Governo, pelo menos de uma forma direta, já que foram indicadas pelo conselho de administração, o qual é completamente privado. Já a questão do valor dos salários é um problema a nível da direção da empresa.
Contudo, o Governo que, durante a campanha eleitoral, usou como “bandeira” o facto de que não usaria o expediente, tantas vezes utilizado em Portugal, do “clientelismo” político, acabou por revelar uma outra realidade. Também outras nomeações levantaram polémica, falamos agora das feitas para a empresa do setor empresarial do Estado, Águas de Portugal, onde foram designados autarcas ligados ao PSD, coincidência ou não!?!
Afinal, as nomeações para lugares de destaque numa empresa são uma situação normal, já que nenhum presidente de um conselho de administração irá escolher para dirigir áreas importantes da sua empresa pessoas em quem não confie. Logicamente que este irá escolher pessoas da sua confiança. Contudo, o que mais choca nas nomeações para o setor público não são as nomeações em si, mas o facto de estas obedecerem à cor partidária e não à competência. E as críticas ainda me deixam mais consternado, porque só são feitas às pessoas em questão por serem do partido A, B ou C e não pela capacidade ou incapacidade das mesmas. Afinal, as críticas só deveriam ser feitas após à execução das tarefas! Só que mais do que as críticas, os nomeados deveriam ser responsabilizados pela sua gestão. Se esta for boa seriam premiados, mas se for danosa seriam punidos de forma civil e criminal. Assim, acredito que existiria mais respeito pela gestão dos bens públicos!
JOÃO FILIPE
Diretor da Folha de Portugal

