Diz a sabedoria popular que “tudo na vida é conseguido através de sacrifício”, bastando para isso olharmos para todas as áreas da nossa vida para podermos constatar que esta é a mais pura verdade. Contudo, existem vários tipos de sacrifício: por exemplo, nos últimos oito anos, pelo menos, temos ouvido os dirigentes políticos pedirem sacrifícios ao povo, cada vez que querem aumentar os impostos; também os pais pedem aos filhos sacrifícios nos estudos para, no futuro, terem melhores condições de trabalho; enfim, em tudo o que se faz na vida, seja de uma forma explícita ou implícita, este faz parte da vida de todos, ainda que algumas pessoas possam até pensar que não.
A realidade é que tudo na nossa vida acarreta um sacrifício inerente, ou seja, um trabalhador que deseje receber o seu ordenado terá de sacrificar dia após dia em prol do seu objetivo, um bom advogado ou médico terá de sacrificar anos de estudo para conseguir construir e firmar a sua carreira profissional. Também uma relação amorosa exige sacrifícios, querendo isto dizer que é necessário tanto homens como mulheres deixarem alguns dos seus hábitos de solteiro/a para poderem ter um casamento bem-sucedido. Já para não falar dos sacrifícios que os pais fazem para que os filhos possam ter uma vida melhor do que eles próprios tiveram.
Contudo, o pior é que se instalou um conceito da “lei do menor esforço”, como se tudo o que acontece na nossa vida tivesse de acontecer apenas porque sim e que cabe sempre aos outros suprir as nossas próprias necessidades. Mas, de facto, só se consegue conquistar algo de valor quando existe um sacrifício! E esta atitude é a mais democrática que poderemos adotar na nossa vida, uma vez que todos temos capacidade para fazer e cada um receberá na justa proporção do que sacrificar. Esta é, afinal, uma lei natural da vida.
Todos nós temos uma de duas opções: acomodamo-nos ou lutamos. Ora a primeira é mais fácil, pois, não exige qualquer esforço e assim podemos reclamar de tudo e de todos. Já a segunda opção passa por sacrificar por um objetivo, exigindo-se, então, trabalho e esforço. E eis que se avizinha um novo ano de dificuldades, cabendo-lhe a si escolher o seu caminho: acomodar-se ou sacrificar pelos seus objetivos. No final, a escolha é sempre sua!
JOÃO FILIPE
Diretor da Folha de Portugal

