O ano que agora começa foi anunciado como sendo de viragem, tanto a nível económico, como social e político. E, segundo muitos comentadores, nada mais será como antes conhecíamos, queira isto dizer o que for, funcionando tanto para o bem como para o mal. A maioria dos meios de comunicação social tem trazido a “lume” os vários aumentos em diversas áreas e bens, também mostrando todos os tipos de cortes que irão ser realizados no que diz respeito à despesa pública, com maior enfâse na saúde, pois, esta é a área onde se irão registar as maiores subidas de taxas e a perda de alguns benefícios.
Contudo, não vejo muitas pessoas a dizerem que de facto temos que mudar radicalmente de hábitos e de deixar o consumismo desenfreado, ou seja, de ser mais comedidos, de sermos uma sociedade “muito” menos dependente do Estado e que chegou o momento de provarmos que somos capazes de nos reinventar e de reconstruir um país mais justo. Muitos até irão chamar-me de romântico, utópico ou, simplesmente, louco, mas a estes respondo: sim, sou romântico, pois, acredito no meu país e sei que somos capazes; utópico, talvez, podemos nunca ter um país perfeito, mas podemos ser bem melhores; louco, sim, de facto sou, mas por poder contribuir para um futuro melhor para os nossos filhos e netos.
Vejo esta crise aguda que vivemos como um crivo, onde só os duros ou bons conseguem superar as dificuldades, querendo isto dizer que nem todos conseguem superar, mas os que aguentarem ficarão muito mais fortes. E, digo mais, estes tempos difíceis, na minha opinião, são os melhores para se criar uma empresa ou abrir um comércio. Não, não perdi o tino! Pense que se começar agora a sua empresa ou abrir a sua loja terá de lidar com as dificuldades de mercado e de liquidez e sem financiamento, o que dará ao seu negócio uma estrutura para suportar melhor qualquer outra adversidade. Portanto, vamos “arregaçar as mangas” e lutar para mudar a situação, em vez de criticar tudo o que “mexe”!
JOÃO FILIPE
Diretor da Folha de Portugal

